Onde quer que eu vá

Vou sozinho

Carrego comigo esse corpo

Como um cão

Como a estrada, o Caminho

Sem começo, meio ou fim

Um desvão

Jhj

 

 

http://rapidshare.com/files/385343125/03___O_andaime_com_Lucinha_Lins.mp3

 

 

Privacidade, Liberdade, Dignidade

Ao se preocupar com o futuro, é bom não perder de vista um presente no qual a vigilância por vídeo invade todos os espaços e a digitalização das imagens torna possível reconstruir os nossos percursos. As tecnologias da vigilância por vídeo não somente incidem sobre a liberdade de circulação, mas tornam “o passado visível”.

Os efeitos do controle sobre a localização e do fato de se custodiar todos os nossos comportamentos a uma implacável memória são bastante evidentes no âmbito das comunicações eletrônicas. Aqui, o aumento dos tempos de conservação de dados não somente está eliminando o direito ao esquecimento, mas também multiplicando as possibilidades de produção ininterrupta de perfis de todo tipo.

Qual dignidade restará a uma pessoa tornada prisioneira de um passado que está todo nas mãos de outros, frente a que resta resignar-se de ter sido expropriado?

Além disto, o surgimento da biometria propõe novas combinações de corpo físico e do corpo eletrônico. O corpo físico está se tornando uma password. O corpo eletrônico, o conjunto dos nossos dados, é objeto de um data mining cada vez mais agressivo e ramificado, motivado por exigências de segurança ou do mercado. A vigilância social é confiada a guizos eletrônicos cada vez mais sofisticados. O corpo humano é assimilado a um objeto qualquer em movimento, controlável à distância através de uma tecnologia que se utiliza de satélites ou da rádio-frequência.

Diante de nós estão mudanças que tocam na própria antropologia da pessoa. Estamos diante de progressivos desvios: da pessoa “escrutinada" pela vigilância por vídeo e pelas técnicas biométricas se pode passar a uma pessoa “modificada” por diversos instrumentos eletrônicos, pela inserção de um chip e etiquetas “inteligentes”, em um contexto que cada vez mais claramente nos transforma em networked persons, pessoas permanentemente em rede, paulatinamente configuradas de modo a emitir e receber impulsos que permitam traçar e reconstituir movimentos, hábitos, contatos, modificando assim o sentido e o conteúdo da autonomia das pessoas e, portanto, incidindo sobre sua dignidade.

EXTRAÍDO DO BLOG: http://aeradopanoptico.blogspot.com/

 

Que um pais seja pequeno

E de escassa população

Que importa!

E se suas forças armadas

Fossem de apenas 10 ou 100 homens

Que nem usassem suas armas-

Deixemos seus habitantes viver em paz;

E cultivar seu torrão de terra!

E,se não usassem seus navios,

Nem seus carros de batalha,

Nem suas armaduras-

Deixemo-lo voltar às tradições paternas!

Estão contentes com seus alimentos

E felizes com seus trajes,

Acham lindas as suas moradias,

E bons os seus usos e costumes;

E se tão próximos deles fossem os vizinhos

Que se ouvissem o canto dos galos e o latir dos cães;

De lá para cá e de cá para lá -

Deixemo-los viver em paz!

Envelhecer contentes

Morrer tranquilos...

Não os privemos de sua liberdade.

 

Tao Te King - A felicidade pela Vida Simples

 

 

"Em outras palavras, a burguesia não se importa com os loucos; mas os procedimentos de exclusão
dos loucos puseram em evidência e produziram, a partir do século XIX, novamente devido a
determinadas transformações, um lucro político, eventualmente alguma utilidade econômica, que
consolidaram o sistema e fizeram−no funcionar em conjunto. A burguesia não se interessa pelos
loucos mas pelo poder; não se interessa pela sexualidade infantil mas pelo sistema de poder que a
controla; a burguesia não se importa absolutamente com os delinqüentes nem com sua punição ou
reinserção social, que não têm muita importância do ponto de vista econômico, mas se interessa
pelo conjunto de mecanismos que controlam, seguem, punem e reformam o delinqüente."

"Microfísica do Poder' , Michael Foucalt

 

VÍDEO PRODUZIDO POR MIM DE CARÁTER EXPERIMENTAL,SEM NENHUMA PRETENSÃO,

LOGO DEPOIS DE NOSSA VOLTA.

O Estado das Coisas...Se gente soubesse que caminharíamos para  um mundo híbrido, estranha mistura

de"1984" ,de Orwell e "Admirável Mundo Novo', de Huxley. Bodhisatavas do mundo, uní-vos!

 

"Quando tudo é mostrado (como no Big Brother e nos realitys shows), percebe-se que não

há nada mais para se ver. É o espelho da superficialidade, do grau zero, por meio do qual se

prova, em oposição a todos os objetivos, o desaparecimento do outro e talvez até que o ser

humano não é essencialmente um ser social. Tem-se o equivalente de um ready-made –

transposição literal do everyday life, ele próprio manipulado por todos os modelos dominantes.

Banalidade sintética, fabricada em circuito fechado e com painel de controle.

Nisso, o microcosmo artificial do Big Brother parece-se com a Disneyland, que dá a ilusão

de um mundo real, de um mundo externo, sendo que os dois correspondem exatamente à imagem

um do outro. Os Estados Unidos inteiro são a Disneyland; todos nós estamos no Big Brother. Não é

preciso entrar no duplo virtual da realidade, pois já estamos nele – o universal televisivo não passa

de um detalhe holográfico da realidade global. Até em nossa existência mais cotidiana já estamos

em situação de realidade experimental. É daí que vem o fascínio, por imersão e por interatividade

espontânea.

Trata-se de voyeurismo pornô? Não. Há sexo por toda a parte, mas não é isso que as

pessoas querem. Profundamente, desejam o espetáculo da banalidade, que é a verdadeira

pornografia de hoje, a verdadeira obscenidade – a da mediocridade, da insignificância e da

superficialidade. Extremo oposto do Teatro da Crueldade. Mas talvez haja aí uma forma de

crueldade, ao menos, virtual. Na hora em que a televisão e a mídia são cada vez menos capazes

de dar conta dos acontecimentos (insuportáveis) do mundo, elas descobrem a vida cotidiana, a

banalidade existencial como o acontecimento mais mortífero, como a atualidade mais violenta,

como o próprio local do crime perfeito. E, de fato, ela o é. As pessoas estão fascinadas, fascinadas

e aterrorizadas pela indiferença do Nada a dizer, Nada a fazer; pela indiferença das suas próprias

existências. A contemplação do Crime Perfeito, da banalidade como novo rosto da fatalidade,

tornou-se uma verdadeira disciplina olímpica ou o último avatar dos esportes radicais.

Tudo isso reforçado com a mobilização do próprio público como juiz, pela sua

transformação em Big Brother. Estamos além do panóptico, da visibilidade como fonte de poder e

de controle. Não se trata mais de tornar as coisas visíveis a um olho exterior, mas de torná-las

transparentes para elas mesmas, através de perfusão do controle na massa, apagando com isso

os rastros da operação."

 

Trecho de "Telemorfe"-Jean Baudrillard

O Coração Cotidiano

Hozumi Gensho Rôshi


No Mumonkan lemos a seguinte expressão notável:

O coração cotidiano é o caminho!

Isto significa que o caminho (jap. ) torna-se aparente em nossos corações comuns. O coração torna-se capaz de reconhecer o caminho em si. O Zen provê o fundamento para muitas artes, que são desenvolvidas em "caminhos". Entre as outras há o caminho do chá (jap. chadô), o caminho das flores (jap. kadô), o caminho da caligrafia (jap. shodô), o caminho da espada (jap. kendô, iaidô), o caminho do arco (jap. kyûdô). No Zen, caminho significa coração ou mente.

Não basta prestar atenção simplesmente à técnica e ao material quando praticar os caminhos do chá ou das flores. Você não aprende nada quando apenas presta atenção às aparências. É necessário tocar o espírito do caminho. O coração natural é o caminho. Mas agora perguntamos qual é o sentido do caminho da vida. "Qual é o caminho?" Nansen Zenji (chin. Nan-ch'üan P'u-yüan) responde:

O coração cotidiano é o caminho.

Este coração não se mostra tão facilmente. Mesmo se tivermos entendido, isso não significa que vivemos nosso coração cotidiano.

Compreender e realizar nosso coração na vida cotidiana — isto é o que significa. Então experienciamos o estado mental maravilhoso do mestre Nansen quando ele respondeu a esta pergunta. Esta resposta é tão natural e clara quanto um riacho da montanha. O coração cotidiano não é um coração sujo, pois é originalmente puro. "Originalmente" não significa seguir nossos próprios caprichos e fazer o que quer que se sintamos. Há regras e guias para o caminho. Ele conduz a uma vida cotidiana sem problemas. A fim de chegar á, precisamos de esforço incessante e de prática. Não seja negligente nem por um segundo, ou caso contrário será impossível alcançar este coração.


O coração do caminho do chá

No Nanporoku, um manual sobre o caminho do chá, há um importante ditado do mestre do chá Sen no Rikyu:

Até mesmo uma cerimônia do chá na menor sala permite praticar os ensinamentos do Buddha. Dar importância ao rico interior de uma sala ou casa de chá, ou estar interessado apenas na comida extraordinariamente boa — esses são interesses mundanos. Porém, é absolutamente suficiente quando o telhado não goteja. Ao comer, nos resguardamos da fome. Este é o ensinamento do Buddha e o significado do caminho do chá. Aqueles que querem conduzir uma cerimônia do chá devem trazer água, madeira e carvão, aquecer a água, preparar o chá e oferecer  este chá ao Buddha e às outras pessoas, bebê-lo, arranjar as flores, acender incenso. Assim, aprende-se a realizar o que é a felicidade no buddhismo.

Quem quer que leia isto pode perceber que uma mente profunda está por trás do caminho do chá. A sala não deve mobiliada de ricamente, mas simples e funcionalmente — é importante que o telhado da cabana não goteje. Quando comermos não devemos desejar por algo especial, mas devemos estar contentes quando temos o bastante para comer.

Caminhamos sobre a montanha, trazemos madeira e água fresca, levamo-la ao ponto de fervura e preparamos o chá com todo o coração. Primeiro o Buddha recebe o chá, então preparamos o chá para aqueles presentes e finalmente bebemos. Na sala há um vaso com flores. O ar é preenchido com incenso precioso. Esta ação leva ao próprio coração do ensinamento buddhista. A seqüência também tem de ser considerada.

Hoje em dia, as pessoas olham para si mesmas como o centro. Seria bom para nós se nos tornássemos mais modestos e não nos empurrássemos para o primeiro plano.

O espírito do chá respeita quatro princípios: wakeiseijakuWa, o coração da paz e da harmonia, é sem ego. Kei é o respeito e a estima por todos os seres e aprender dos outros. Sei, o coração puro, são as ações corretas e modo de vida correto, assim como uma boa consciência.Jaku, silêncio, quietude abençoada, é o elemento mais importante do caminho do chá. É mushin, o coração desperto do Buddha. Poderíamos dizer que, com a percepção do silêncio, o mundo do chá vem à existência.


O mundo e o silêncio

O artista real precisa de um longo período de silêncio antes de poder completar seu trabalho. Também poderíamos dizer que a arte nasce do silêncio. Consideramos esses objetos da arte sem palavras.

O famoso jardim de pedras do Ryoanji em Kyôtô é um exemplo perfeito da beleza do silêncio. Se você se sentar no jardim, fique quieto e veja; então, parecerá como se você tivesse falado com o jardim. No jardim, uma conversa silenciosa acontece. Nada tem de ser explicado. É claro, o criador dos solos realizou a arte e a religião em um grau elevado, expressando pensamentos e emoções através de cada pedra. Isto também nos toca hoje em dia. Assim, devemos ser gratos a esses predecessores que nos deixaram esses objetos de arte.

A arte Zen não é encontrada apenas nos jardim, mas também nos prédios e pinturas. As salas dos templos Zen e salas de chá são exemplos excelentes. A harmonia da "arte da sala" transfere-se para todos os presentes. Um prédio de madeira sugere, com seu cheiro, a conexão com a natureza; e mostra, com seus círculos anuais, o tempo. Às vezes, passamos algum tempo de pé na frente dessas "coisas velhas" e não conseguimos proferir uma única palavra de admiração. Podemos sentir a história por trás da arte, profunda e pesadamente.

A caligrafia também é maravilhosa. Algumas pinturas purificam o coração do observador honesto. Observando essas pinturas, não temos palavras, não há mais nada a ser dito. As caligrafias dos monges Zen demonstram profundidade. O silêncio é o elemento mais importante na arte e na religião.

No zendô, o zazen demonstra a profundidade do silêncio. No silêncio, articula-se o ativo e corajoso espírito do Zen. Podemos sentir nossa energia vital. É onde o zazen começa. Se você falar sem ter experienciando o silêncio, então suas palavras são sem significado. Na fala significativa (correta), podemos perceber se o falante respeita o silêncio.

 

(Adaptado de Hozumi Gensho Rôshi, Zen Heart.
York Beach: Wiser Books, 2001. Pág. 49-50, 61-63, 67-68.)

Fonte: Ecos do Silêncio http://www.dharmanet.com.br/zen/cotidiano.htm

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